

Temos visto recentemente novidades na atuação de marginais em Condomínios no Rio de Janeiro, Niterói e São Paulo. Alguns anos atrás era comum uma modalidade de furtos “por atacado” em prédios, onde um ou dois marginais entravam nas garagens dos edifícios, aproveitando uma brecha do sistema de segurança, na área de acesso, por exemplo, um vácuo na entrada de um veículo de um condômino, devido à falta de uma comporta eclusa intertravada, onde um portão só é aberto se o outro estiver fechado, ou um portão de movimentação muito lenta, o que permite uma pessoa passar durante a operação de fechamento deste.
O objetivo destes criminosos era o furto de toca-fitas e outros objetos de pequeno valor no interior de veículos (CDs, óculos, objetos pessoais, etc), devido à facilidade provocada por alguns moradores que deixavam o seu veículo aberto ou sem qualquer tipo de alarme ou proteção. Quase sempre alguns marginais fugiam com parte da rés furtiva, outros a abandonavam ao serem descobertos e fugiam, e outros eram presos, após uma busca minuciosa, pelas dependências comuns do prédio. Em determinadas ocorrências, o furto só era percebido quando o primeiro condômino fosse retirar seu veículo da garagem e verificava a falta de seus objetos.
Mas, uma vez que a Polícia aperta o cerco a um determinado tipo de crime, como é o caso dos roubos a banco, os sequestros, e o tráfico de drogas, os marginais buscam outra fonte rentável de lucro e descobriram na invasão a Condomínios horizontais ou verticais uma mina de ouro, porque em um mesmo lugar, de forma concentrada, com uma mesma ação, descobriram que podem roubar mais. Normalmente atuam em grupos de oito a quinze marginais, que aproveitando-se de uma falha na segurança adentram ao Condomínio. Essa nova modalidade tem assustado a população que pensava que morar em condomínios fechados seria mais seguro, porém isso não se confirma, ainda mais quando a sua segurança depende das suas atitudes somadas a de todos os condôminos e funcionários. Somando-se a isto, o fato de se dar pequena importância a procedimentos básicos de segurança, ao treinamento e seleção dos funcionários, e à instalação de itens de segurança de primeira necessidade.
Mas o que fazer para melhorar o nível de segurança do Condomínio? São diversos os procedimentos necessários, prioritariamente o Síndico deve fazer um levantamento criterioso das vulnerabilidades do Condomínio, e adotar a partir daí, linhas de ação preventiva, sendo a mais importante delas, a conscientização dos condôminos quanto a necessidade de todos agirem em prol da segurança do Condomínio, pois não adianta, estabelecerem regras rígidas para a entrada de visitantes, fornecedores de serviço ou recebimento de entregas, se o Condômino desobedecê-las por achar que são desnecessárias.
É comum acontecer de um morador querer fazer do Porteiro um office-boy ao entregar uma correspondência no apartamento ou ajudá-lo a levar compras por exemplo, e quando ele se descuida ao sair do seu posto alguém pode sorrateiramente ter entrado no Condomínio aproveitando o tempo de fechamento dos portões. Em um segundo momento, estando todos conscientes das regras de segurança, os funcionários devem passar por um treinamento sério, onde no seu dia-a-dia nenhum procedimento deve passar em branco. Todos os outros funcionários do Condomínio devem ser devidamente qualificados e ter acesso restrito à sua área de trabalho. Em 60% dos casos de roubos, os marginais possuem informações vitais que sairam de dentro do Condomínio. Portanto, é imprescindível que haja discrição sobre a rotina e os sistemas de segurança do Condomínio. Em terceiro, todas as vulnerabilidades detectadas podem gerar oportunidade de acesso, por isso devem ser saneadas mediante a instalação de equipamentos eletrônicos eficientes por empresa instaladora de sua confiança, tais como cercas eletrificadas nas periferias mais remotas, circuito interno de TV visualizando garagens, muros e todas as entradas e saidas comuns do Condomínio de modo que o Porteiro não precise sair da Portaria para visualizar estes locais, e quando possível, um sistema de controle de acesso para registrar a entrada e saida de veículos e funcionários, com crachás de controle e portas automatizadas. E por fim, um sistema de alarme confiável, com sensores de presença nas áreas comuns para alertar o Porteiro quando da passagem de alguém e botões de pânico que sejam monitorados pela Polícia ou alguma empresa de monitoramento que conheça.
Afinal, locais mais seguros e de difícil penetração não são os mais visados pelos marginais.